domingo, 4 de janeiro de 2009

Falta de experiência dos candidatos é um dos maiores problemas do país.

Falta de experiência ainda é entrave para empregador
Empresas estão enfrentando dificuldade em encontrar profissionais com perfil adequado


Na hora de procurar um emprego, uma dificuldade constante encontrada, principalmente por estudantes ou profissionais recém formados, está na falta da experiência profissional. Independente da área de atuação escolhida ou do curso superior de formação, o fato de nunca ter exercido nenhuma função referente ao cargo pretendido é um grande impasse para o empregador.O problema é que, muitas vezes, as empresas também enfrentam esta dificuldade ao não conseguir encontrar um profissional com formação ou perfil adequado ao pretendido pela empresa. Este problema é encontrado, principalmente, por algumas empresas que trabalham em áreas mais restritas e especializadas do mercado.Buscando uma solução para estes dois problemas, algumas empresas piauienses têm adotado programas de ingresso e treinamento de estudantes. Este é o caso da empresa de Adalto Serra, diretor executivo e gerente de tecnologia de uma empresa de desenvolvimento de software especializado em serviços de saúde.Ele explica que devido à especificidade do serviço desenvolvido pela empresa atualmente é difícil achar profissionais que atendam às necessidades da empresa, por isso, eles adotaram o ingresso de estudantes. “Pegar um profissional ainda em formação tem inúmeras vantagens. A principal delas é que podemos moldar este profissional às nossas necessidades, além de direcionar a formação dele para os interesses da empresa”, afirma.Adalto Serra explica que a universidade é essencial para dar a parte teoria para o aluno, mas somente dentro do mercado de trabalho o estudante tem a oportunidade de enfrentar cara-a-cara os reais problemas de uma empresa.“Aqui, além de aplicar o que aprendem dentro da universidade, esses estudantes podem vivenciar o dia-a-dia de uma empresa e aprender, ao lado dos nossos profissionais como atender às necessidades dos clientes”, diz.A empresa, atualmente, realiza duas seleções anuais para estudantes de computação. A seleção, normalmente, acumula de 60 a 80 inscritos, que passam por cinco fases desenvolvidas em três meses.De acordo com Adalto Serra, a idéia não é apenas selecionar um bom estudante, mas analisar o potencial de cada candidato de acordo com o perfil que a empresa anseia.Qualificar funcionários é investir em lucroAlém de ter a porta aberta para estudantes, Adalto Serra explica que uma aposta dos empresários hoje deveria ser na educação continuada, ou seja, na oportunização de cursos de aprimoramento para os funcionários. “Manter o profissional sempre estudando, crescendo e se aprimorando intelectualmente é um investimento que a empresa faz em si mesma”, explica.Atualmente, a empresa gerenciada por Adalto Serra, custeia 70% dos cursos de MBA dos funcionários, bem como mestrados e doutorados. Além disso, existe também o incentivo a aperfeiçoamento de outros cursos, como o inglês.“A vantagem de custear estes cursos? Nós hoje temos 85% do nosso pessoal com formação de nível superior e falando inglês fluentemente. Além disso, anualmente, temos no mínimo, três funcionários fazendo pós-graduação. Investindo na qualidade dos nossos profissionais estamos investindo na qualidade do produto final da empresa”, ressalta Adalto Serra. (V.M.)Estágio é porta de entrada do mercado de trabalhoEstudante do 6º período de computação do Cefet-PI, Patrícia Fontenele, foi uma das ingressas na última seleção realizada pela empresa gerenciada por Adalto Serra. Ela conta que soube da seleção durante as aulas e que viu na oportunidade de ingresso no estágio uma chance de ser contratada pela empresa.“Todo mundo que estuda na área de informática sabe que é muito difícil conseguir emprego sem experiência. Este programa de estágio para estudantes é importante por isso, porque nos dá a oportunidade de ter uma experiência dentro do mercado de trabalho e ainda aprimorar ainda mais o que aprendemos durante o curso. Quando a gente está dentro do curso existe toda uma visão romântica da profissão, depois de ingressar vemos os verdadeiros desafios e rotinas do que faremos pro resto da vida”, afirma.Daniel Mário Lima, de 20 anos, também conseguiu um estágio agora, na área de informática. Para ele, estar estagiando na empresa está sendo não só um desafio pessoal, mas uma oportunidade aproveitada para de construir o futuro profissional que deseja.“Eu vejo este estágio como uma porta aberta para ingressar na empresa e me tornar um profissional conhecido. Formando-me aqui tenho muitas chances a mais de contratação e de crescer dentro da própria empresa. Vejo esse estágio como meu cartão de visitas”, ressalta o estudante.

Fonte: Jornal Meio-Norte

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